27/10/2009 - PROJETO CULTURAL - APRESENTAÇÃO DAS PEÇAS DE TEATRO.
Teatro é, talvez, a mais complexa de todas as artes, pois exige a colaboração de muitos profissionais: autor do texto, atores, diretor, cenógrafo, figurinista, iluminador, sonoplasta.
A apresentação de uma peça demanda tempo, esforço, dedicação de todos os envolvidos.
Para chegar à apresentação de “ Brasil de todos os povos”, o diretor Marcos Tadeu compilou textos de diversos autores, pensou em como seria a montagem no palco, separou-os na sequência das séries, apresentou os respectivos textos aos alunos que escolheram suas personagens. Em seguida, começou o árduo trabalho de o indivíduo dar expressão a um ser que tem características físicas, personalidade, concepções de mundo, enfim, assumir a personalidade da personagem.
Atropelados por uma suspensão de aulas por motivos de saúde pública, a remodelação do calendário exigiu o uso de sábados para que se conseguisse um tempo diferente para não prejudicar o dia a dia da sala de aula.
Durante a semana, enquanto os professores de Educação Física trabalharam junto com o diretor da peça o texto, as professoras de Artes tornaram concretas as idéias de vestimentas e adereços.
No palco, foram 450 alunos que sem deixar compromissos de sala de aula - conteúdos, tarefas, trabalhos, seminários, avaliações também decoraram seus textos, subiram ao palco e, nervosos ou não, deram vida ao texto dramático.
Numa estratégia de encenação, personagens com muito tempo de cena, muitas falas ou com mudanças comportamentais serão vividas por mais de um aluno. Para isso colaboram adereços que identificam uma personagem ou grupo delas.
As cenas do descobrimento ao Brasil atual se sucederão sem que haja interrupção do espetáculo.
A 5ª série viverá numa mistura de fatos históricos, ironias e irreverências, o descobrimento do Brasil.
À 6ª série caberá apresentar a colonização, recriada a partir de “O Guarani” texto de José de Alencar, um clássico da literatura brasileira.
Para a 7ª coube mostrar que o negro que tanto colaborou para a construção deste país chamado Brasil muito sofreu. Ninguém melhor expressou essa chaga que Castro Alves em “O Navio Negreiro”.
Já no século XX, numa visão mais crítica de nossa história, surge a figura de “Macunaíma”, escrito por Mário de Andrade.
Não se pode entender Macunaíma de forma lógica: nasce grande, fala só aos seis anos, deixa de ser negro por um banho em águas mágicas, desloca-se por centenas de quilômetros num piscar de olhos e deixa a consciência de lado para nadar.
Os alunos das 8as. Séries apresentarão a trajetória desse herói sem nenhum caráter, que resume em si alguns dos brasileiros. Entenda-se “sem caráter” como aquele que não possui nem civilização própria nem consciência tradicional. Essa figura sintetiza características boas e más: é preguiçoso e persistente; inocente e malicioso; astuto e ingênuo; impetuoso e covarde; manhoso e trapaceiro; frágil e vingativo.
Entendam que, no palco, estão crianças e adolescentes que, sem deixar de lado suas obrigações e sem serem atores, dispuseram-se a dar sua colaboração para que o espetáculo se tornasse real.
Acreditamos, enquanto escola, que ensinar não está apenas em apresentar conteúdos, mas oportunizar momentos para que o aluno supere seus medos e exponha suas emoções. E o teatro, com certeza, é uma estratégia pedagógica.
Foi um excelente espetáculo!
Confiram algumas fotos...
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